A saudade bateu bem na hora que aquela lágrima chegou e eu deixei rolar
O início começou quando se fez mais forte aquela vontade de te procurar
com os olhos
Foi o momento que percebi a aflição do peito que suspirava forte,
Que tremia e trepidava buscando a sua volta
E só tinha um coração engaiolado num sentimento transbordante da sua
falta...
Ofício novo de contar os dias aos pares
Para satisfazer a vontade algoz de fazer acelerar o tempo,
De deixar de marcar as horas que se colocam na frente do seu sorriso
Que impedem que seja morta a vontade do beijo que não foi dado
E ficam vagando, permitindo que cartas entorpecentes como estas sejam
escritas...
Caçador das notas rebuscadas do seu perfume
De alguém que consegue fazer meu coração cantar
Sob as regras do taciturno mundo que em trôpegas pernas
Consegue caminhar através das palavras ousadas
Que só merecem ser ditas ao pé do ouvido
Da pele que se arrepia e se deixa entregar por afagos sinceros...
As nuvens não desenham mais o dia,
As asas não mais se recolhem,
A poesia se reserva no direito de não mais se explicar
Sem sorrisos e sem lágrimas,
Mãos livres para anotar qualquer rabisco que venha à cabeça
Tomo posse plena da minha licença poética
Abandonando fotografias antigas nos obsoletos tons de cinza
E vejo os reluzentes raios do sol da manhã do dia sacramentado em
paixão...
Como os colibris figurantes da sua presença, sob o seu canto como
artista principal
Tragos nas minhas linhas letras e suspiros representantes da minha
identidade
Trago nas mãos um perfume roubado das violetas da minha janela
Trago nos meus olhos uma timidez
não muito aparente,
Mas suficiente para não suportar aguardar julgamento
Deixar-me-ei sublimar com meus pensamentos,
Como a flor bailarina que pega carona com a brisa tranquila...
PS: Desculpe-me, mas não poderia deixar de tentar te apaixonar...






