sexta-feira, 5 de julho de 2013

Êxtase




A saudade bateu bem na hora que aquela lágrima chegou e eu deixei rolar
O início começou quando se fez mais forte aquela vontade de te procurar com os olhos
Foi o momento que percebi a aflição do peito que suspirava forte,
Que tremia e trepidava buscando a sua volta
E só tinha um coração engaiolado num sentimento transbordante da sua falta...

Ofício novo de contar os dias aos pares
Para satisfazer a vontade algoz de fazer acelerar o tempo,
De deixar de marcar as horas que se colocam na frente do seu sorriso
Que impedem que seja morta a vontade do beijo que não foi dado
E ficam vagando, permitindo que cartas entorpecentes como estas sejam escritas...

Caçador das notas rebuscadas do seu perfume
De alguém que consegue fazer meu coração cantar
Sob as regras do taciturno mundo que em trôpegas pernas
Consegue caminhar através das palavras ousadas
Que só merecem ser ditas ao pé do ouvido
Da pele que se arrepia e se deixa entregar por afagos sinceros...

As nuvens não desenham mais o dia,
As asas não mais se recolhem,
A poesia se reserva no direito de não mais se explicar
Sem sorrisos e sem lágrimas,
Mãos livres para anotar qualquer rabisco que venha à cabeça
Tomo posse plena da minha licença poética
Abandonando fotografias antigas nos obsoletos tons de cinza
E vejo os reluzentes raios do sol da manhã do dia sacramentado em paixão...

Como os colibris figurantes da sua presença, sob o seu canto como artista principal
Tragos nas minhas linhas letras e suspiros representantes da minha identidade
Trago nas mãos um perfume roubado das violetas da minha janela
 Trago nos meus olhos uma timidez não muito aparente,
Mas suficiente para não suportar aguardar julgamento
Deixar-me-ei sublimar com meus pensamentos,
Como a flor bailarina que pega carona com a brisa tranquila...




PS: Desculpe-me, mas não poderia deixar de tentar te apaixonar...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A face de um poeta...



















Saio por uma porta... Não é a mesma a qual entrei
Vejo as luzes querendo me cegar, 
As gotas batendo nos vitrais ameaçando contra a catedral...
Os relâmpagos são inocentes demais para somente revelar que ainda vem tempestade
As idéias não passam de planos da próxima jogada,
O jogo agora se define nas minhas regras
Sou formado pelos instintos mais perniciosos...

A verdade é poesia, o sentimento se traduz em simples palavras
Que a alguns encanta, a outros, revolta e ainda há a quem não diga nada...
A mentira ao primeiro momento estanca as falhas, mas torna irremediável qualquer tentativa de desculpas...
Não choro uma lagrima que não tenho... Não sofro por uma historia que não vivi...
Não tenho um coração que se diz vazio,
Mas preservo a frieza quem me faz originalmente racional
Isto é poesia, é ouvir a música do mundo e saber interpretar em ações...

Crenças caem por terra a todo o momento e só servem para cegar os imbecis
Canto um coração que bate apertado, mas que arrebenta um nó e voa sem limites de horizontes
O que trago é um espelho de personalidades que se reconhece nos meus traços
O recanto das palavras universaliza os sentimentos
Cantei a liberdade que se faz em mim
Libertei a pomba que anuncia a minha paz

Apertei nas mãos as linhas que tinha a escrever,
Torpes, ríspidas, indelicadas aos ouvidos de quem se acostumou com a essência dos lírios
Mais uma vez a racionalidade norteou uma atitude acertada
E a balança provou que não faz nada por acaso,
Os seus pratos têm a harmonia exata para tomar conta do universo...

O poeta nunca revela todas as  suas faces
Há quem tenha dito ter sete, quiçá, tantas outras que ninguém conheceu, nem o próprio...
Nem tudo pode ser mostrado... A docilidade tem a dose certa de amostra
As atitudes humanas e perversas, devem ser recalcadas ao segredo de um momento
Os ventos d’antes soprados revelavam o ensaio de alguma poesia
Que amadurece e deixa cair os seus frutos ainda inférteis e suspirando à terra seca
Um sorriso tem o sarcasmo necessário para colocar em dúvida qual a idéia se passa pela mente
Se for censura, indiferença, ódio, fraqueza ou uma contida alegria...

Decaí das nuvens, não me chamo mais querubim...
A terra me fez humano... Viciado e viciante...
Selvagem e atroz... Carinhoso e afável...
Mas em momentos destruidor de mentes, corações e lembranças...
A minha poesia não cabe em um verso obsoleto, anacrônico de um soneto
Não canto nada pela mediocridade das rimas nem das regras absurdas das métricas
O meu verso é livre...

Tenho o habito de advertir somente uma vez
Já o fiz, é o estado de alerta...
A qualquer passo em falso a minha armadilha se aciona... 
E me dou por satisfeito com a paga atribuída à falta de lealdade...
Tenho a habito de pisar forte ao chão, não me assusto com terremotos ou demônios fracos
Não me submeto aos olhares sequestradores de almas
E refuto perder os sentidos apenas pela sedução de nuances paralisadores de ações...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Autor desconhecido















Procura-se alguém com uma audácia, quiçá alguma perspicácia
De assinar linhas inebriadas em devaneios breves e ecos solitários
Que só cabem em um peito, que só importa para um olho que chora uma única lágrima,
Para uma voz que grita numa caixa de vidro blindada por emoções vazias
E uma mão que se nega a assinar a última linha da sua obra...

O que sobra é um baú de argumentos espalhados pelo chão,
Mais um ciclo de verdades inventadas,
A lembrança guardada é de um caminho de pétalas que você não passou
E se o fez, as atenções estavam voltadas aos raios perversos de sol que queimavam na retina
As pétalas da primavera resistiram ao verão escaldante,
Ao outono sem graça e ao seu inverno gélido e sem motivos de inspiração

O cansaço se traduziu em uma busca solitária, em uma doação unilateral e exaustiva
Que freou  o pensamento em um momento da vida sem pulso,
Em que tudo que era sangue ficou sem ternura,
Esvaiu-se em poucos litros, indicando que o fim era a cura da arraigada liberdade...
Que vem como louros de uma vitória cantada na minha prosa
Com os sorrisos ruidosos e estridentes da minha poesia
Pelas notas alegres que o espírito canta e reconhece em novos olhos um sorriso pleno...

Esses são escritos novos de palavras antigas...
Por isso não merecem mais linhas do que já ocupam com muito pesar...
Fazem parte de uma lua que passou sem deixar o seu brilho
De sorrisos desperdiçados em uma varanda de um precipício
E o marco de uma nova estação...
De uma nova cena da minha peça, sem dramas...
Sem a sua triste comédia,
Mas com componentes afinados e fiéis ao seu papel e sem medo de improvisos...









quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Carpe Diem...



Em meio a janelas entreabertas, cortinas alvas e reluzentes
Percebi uma essência que pegava carona no baile suave do vento...
Olhos fechados e pensamento perdido no tempo,
Peito dilatado e enebriado num sentimento novo
Que se desperta num abrir de olhos...
Tem sido cada dia mais divertido interpretar os sinais
Reinventar meu espaço nos seus labirintos
Negociar com palavras engraçadas, sutís e perigosas

Procurei, sem sucesso, em outros escritos algo que refletisse esse momento
O que canta agora é a aurora de um novo dia
São asas novas, que voam suavemente
É barca que torna a viagem tranquila mesmo em tempestades.
O que trago hoje são linhas curtas, curvas e reticentes,
Linhas rasas, mas não pouco profundas,margeadas de sinceridade

Momentos ruidosos de outrora reclamam um acalanto,
Sussurros no ouvido e a afirmação de uma proteção...
Um instante ímpar que o tempo parece parar
Tudo que é alheio ao momento, perde importância
Nada é cobrado, tudo é sentido

Saberei te colocar no colo, nos momentos de aflição
acalentar e fazer do seu dia mais tranquilo e divertido
A cena perfeita, o vento arruma o seu cabelo
Como contribuição compulsória de um sorriso já esperado
E tudo que exala agora recebe o nome de algo que não cabe descrição...

O que eu canto é poesia de alma lavada
O que respiro é um momento sem medo
É a reafirmação de que não cabe nenhuma hesitação, fuga ou coisa do tipo...
É o prelúdio do final de um ciclo de ouvidos e corações inférteis,
De arrependimento de uma entrega sem reciprocidade

Hoje a felicidade toca sem escorrer pelos dedos
O mundo gira no tempo certo,
As cores voltam ao normal
E os detalhes se encontram sem se confrontar
Sem buscar entendimento
Apenas fluem aos litros
E se derramam em palavras ambiguas
E em letras de passos curtos.

domingo, 27 de março de 2011

Recente...


Você me aponta com os olhos, eu te respondo com um sorriso
A canção que tem o seu nome causa um arrepio...
Cada nota é representada num acorde perfeito
Quando os seus olhos são motivos de cada composição
Ai! Fica fácil dizer que neste momento a felicidade nos toca
Como o beijo cálido da manhã que desperta com os primeiros raios de sol...

Quando se torna inevitável sorrir,
Só me resta segurar firme as tuas mãos...
Caminhar em passos sem medida
Intercalar em abraços sem pressa,
Presentear em coração...
E acalentar as lágrimas que brotam em emoção

O mundo parece certo, mas é preciso ler nas suas linhas tortas
E descobrir que alguma coisa falta para que o meu mundo seja um dia completo...
São momentos que relampejam durante o dia
É o bastante para atordoar quem não pode agüentar te esperar
Quem não mais suporta viver longe do seu abraço
Mesmo te tendo ao meu lado
Como pode estar tão longe, estando sempre perto?

O transtorno da sua falta é suficiente pra acordar no meio da madrugada
Para te escrever nestas linhas...
O que vejo são argumentos espalhados pelo chão
São palavras soltas que busco em alguns verbos algum sentido...
Sinto um vento ruidoso cortar a alma e vulnerabilizar um coração sem rumo
Nasce um sentimento que escorre pelas pedras
E jorra aos litros, sem que isto cause perturbação...

Em alguns momentos as palavras foram lançadas em campos
Que só serviam de esconderijo da mediocridade...
Mas o mundo é feito de momentos que se superam como páginas dos livros que escrevemos
Cada momento é um quadro que não me interessa quantas cores
Quando o que importou perde a graça o que sobra é o ridículo...

Não me peça para explicar o que aqui é escrito...
Apenas uma coisa eu passo dizer
Que não sei em que vielas se escondem tais palavras
Apenas sei que elas saem durante o dia inteiro
E se juntam em papel em algum momento...
Para expressar o que até hoje eu continuo sem saber explicar...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retrato do silêncio...


Nessas linhas que se seguem, revelo os motivos do meu silêncio...
São premissas básicas de um livro que já foi escrito por mim...
Quando me calo, é justamente o momento o qual estou dizendo muita coisa
Em inspirar profundamente, aprecio o perfume que ainda exala
O coração se põe a palpitar em êxtase e furor intensos
A consciência me abandona e dou lugar aos mais ruidosos delírios...

É quando afago as mãos delicadas e sinto a sintonia da nossa energia...
Os dedos se tocam na ponta, se tocam e se apertam,
A palma se vê estendida, não esboça qualquer sinal de fuga...
Enfim... Mãos que não se separam se aproveitam e se esquentam...
Compartilham o perfume e são alicerces de lembranças que aguçam a memória

É quando olho nos olhos e não digo nada...
Ou falo coisas que não fazem parte daquele momento...
Que busco me enveredar na sua alma, ler seus pensamentos
Ser a sua droga sob medida...
Apaixonar-te sem chances de refutar...

Sopra um ar de desculpa por te desafiar e te olhar nos olhos...
Tanta audácia que não me reconheço, o rubor invade a face...
Escondo-me nos lençóis da minha timidez peculiar
Recuo e me defendo da minha atitude impensada
Tomado por impulso mais rápido que a minha mente...
Voz tremula, olhar perdido... Perda total do controle da situação...

Mas o cenário já estava pronto, não tinha como voltar atrás...
Os olhos que desafiaram agora se fecham,
O coração que já batia agora bate mais rápido e mais forte...
A boca que não falou nada o tempo todo continua...
Mas se prepara para receber um beijo
E selar o final da agonia que se arrastava...

Como após a ressaca do mar e o fim do choque da água nas pedras...
As coisas se tranquilizam os mundos voltam ao seu lugar
E os risos acontecem...
Foi sequestrado pela lembrança um momento efêmero e completo...
Frases de letras órfãs constroem o sentido e traduzem tudo...
Até o momento que a vida faz figuração e é coadjuvante do seu filme...

Hoje não tenho amor nenhum
O que tenho é admiração por algumas pessoas
Aprendi que amor é uma coisa que nasce...
Que alguém cativa em alguém...
Amor é sentimento,
É alguma coisa que surge
É alguma coisa que pode ser provocada
É alguma coisa cultivada
É alguma coisa...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Perfume...


Quero me despir de qualquer pudor
Que me faça conter impulso em gatilho para te ter em minhas mãos...
Serei sentinela de mim mesmo...
Sem medo de pisar em falso e intenção em prever atos de sobressalto
E entorpecido pelo aroma extasiante buscado na memória

Fiquei olhando milhares de vezes a mesma foto sua
Somente pra perceber que cada vez que olhava
Você me aparecia mais linda de uma forma diferente
Pude ter certeza que um sorriso pode ser visto em detalhes diferentes
Intensidade que muda de forma sutil suficiente para causar efeitos drásticos

O que dizer da odisséia provocada pelo abrir de olhos?
Pelo encantamento e ternura contemplados e consumidos ao mesmo tempo
Pelo vento que corre pela pele na mesma velocidade
Ditada pelo sangue que corre nas veias
E o coração escravo tenta manter o ritmo acelerado provocado pela saudade

Disparo cartas endereçadas a um coração merecedor de carinho,
Tenho todos os meus escritos dispostos em pétalas de rosas
E o vento como meu carteiro...
Pássaros cantores, quase maestros...
Que me relatam todos os seus passos, atitudes e pensamentos...

A sensibilidade nesse momento alcança níveis inimagináveis
Cada palavra dita pela sua voz tem um impacto diferente
O ar entra pelas narinas como se pedisse licença
Mas a respiração continua acelerada...

Quando você passa sou obrigado a analisar todas as notas
Do seu perfume de raríssima exclusividade
Enfim... Esses versos nunca terão ponto qualquer
Apenas se somarão com outros que virão...
Tudo fruto da sua lembrança e presença