terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retrato do silêncio...


Nessas linhas que se seguem, revelo os motivos do meu silêncio...
São premissas básicas de um livro que já foi escrito por mim...
Quando me calo, é justamente o momento o qual estou dizendo muita coisa
Em inspirar profundamente, aprecio o perfume que ainda exala
O coração se põe a palpitar em êxtase e furor intensos
A consciência me abandona e dou lugar aos mais ruidosos delírios...

É quando afago as mãos delicadas e sinto a sintonia da nossa energia...
Os dedos se tocam na ponta, se tocam e se apertam,
A palma se vê estendida, não esboça qualquer sinal de fuga...
Enfim... Mãos que não se separam se aproveitam e se esquentam...
Compartilham o perfume e são alicerces de lembranças que aguçam a memória

É quando olho nos olhos e não digo nada...
Ou falo coisas que não fazem parte daquele momento...
Que busco me enveredar na sua alma, ler seus pensamentos
Ser a sua droga sob medida...
Apaixonar-te sem chances de refutar...

Sopra um ar de desculpa por te desafiar e te olhar nos olhos...
Tanta audácia que não me reconheço, o rubor invade a face...
Escondo-me nos lençóis da minha timidez peculiar
Recuo e me defendo da minha atitude impensada
Tomado por impulso mais rápido que a minha mente...
Voz tremula, olhar perdido... Perda total do controle da situação...

Mas o cenário já estava pronto, não tinha como voltar atrás...
Os olhos que desafiaram agora se fecham,
O coração que já batia agora bate mais rápido e mais forte...
A boca que não falou nada o tempo todo continua...
Mas se prepara para receber um beijo
E selar o final da agonia que se arrastava...

Como após a ressaca do mar e o fim do choque da água nas pedras...
As coisas se tranquilizam os mundos voltam ao seu lugar
E os risos acontecem...
Foi sequestrado pela lembrança um momento efêmero e completo...
Frases de letras órfãs constroem o sentido e traduzem tudo...
Até o momento que a vida faz figuração e é coadjuvante do seu filme...

Hoje não tenho amor nenhum
O que tenho é admiração por algumas pessoas
Aprendi que amor é uma coisa que nasce...
Que alguém cativa em alguém...
Amor é sentimento,
É alguma coisa que surge
É alguma coisa que pode ser provocada
É alguma coisa cultivada
É alguma coisa...

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